Peregrinação a Aparecida do Norte
Nos dias 19, 20 e 21 de maio participei de uma peregrinação para Aparecida do Norte, esse evento fez parte de uma comemoração do ano jubilar dos Escolápios. (400 anos)
A princípio pensei que era uma cidade altamente voltada para a religião com amplo contesto e referências nesse sentido. Foi um impacto muito grande perceber como a cidade é quase que totalmente voltada para o comércio incluindo a igreja, foi um tanto desencantador.
Logo que se entra na cidade é possível ver um mercado imenso, a feira abrange todo o corredor que leva da rodoviária até a basílica, isso incluindo várias lojas na rodoviária, o corredor se estende em toda área ao redor. Essa mercantilização da área é culminada com um parque de diversões dentro da área de estacionamento da igreja.
A igreja é imensa, e meio que me parece muito como arquitetura de espetáculo, o que me incomoda um pouco devido a gigantesca possibilidade de se perder, devido a não sinalização adequada. Ela tem um altar central com uma cúpula redonda que pode ser vista por todos os quatros lados, entretanto a demarcação de lugares para cadeiras e altar impedem que o uso dela seja aberto a possibilidades, isso é ainda pior, devido ao tamanho dela, pois mesmo que se esteja em frente ao altar a partir das cadeiras do meio não é mais possível ver o que está acontecendo o que ocasiona um custo elevada com eletricidade, posto que é necessário televisões para as pessoas poderem assistir a celebração ( dentro da própria igreja). O super tamanho dela, mesmo que permita um fluxo maior de pessoas, acaba por desfavorecer a relação entre pessoa e igreja.
Os corredores são formados por arcos em um estilo neorromânico, são várias fileiras, que demarcam o que está nos corredores centrais e o que está fora. Com uma pé direito muito alto, ela tem três pavimentos, com 2 pavimentos de acesso e um que é somente janelas, entre eles há mosaicos representando algumas cenas Bíblicas. Com vidrais coloridos, estrutura que convida a percepção do espaço e uma reflexão, o tamanho exageradamente grande faz com que o visitante não se sinta tão bem vindo nela como era de se esperar.
O único momento em que pude perceber uma energia muito forte no local, o que deveria ser percebido em todo lugar foi na hora em que cheguei a sala das velas (intenções) é uma energia muito forte, o cheiro de vela sendo derretida, com todas as pessoas em relativo silencio é um ambiente notável, pelo tamanho ser reduzido, algo como uma sala de estar, parece ser uma zona confortável e propícia a meditação. Contudo, mesmo sendo um dos ambientes que mais gostei de toda a área, existem lá velas do tamanho das pessoas e me parece que é quase um competição de quem precisa pedir mais, ou quem tem mais pecado ( me confunde o que as pessoas acreditam ser pecado), até porque não me parece que algum ser perderia seu tempo se preocupado com o tamanho da vela que a pessoa colocou lá.

No subsolo da igreja há uma sala que se chama sala das promessas, ela reúne uma coleção considerável de objetos que foram doados, relacionados a algum pedido que se concretizou. É interessante perceber o cuidado que existe na exposição desses. Entretanto a peça só tem significado para quem tem um sentimento de posse ou de ligação com ele, para os outros é apenas algo exposto. Ainda sim, o que me chamou realmente atenção foi o teto, é coberto de fotos, várias pessoas, em diferentes situações, apropriando de um espaço que normalmente só é pensado para iluminação.
No todo, foi uma experiência bem interessante, de apropriação de lugar, de percepção de espaço, conflitos de interesse e de como nem sempre aquilo que é enormemente grande cumpre a função que deveria ter


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