segunda-feira, 17 de abril de 2017

Documentário "Um lugar ao sol" de Gabriel Mascaro

O documentário um lugar ao sol que assistimos no palácio das artes no dia 06/04, foi um ótimo tema de debate, ele tem como personagens os moradores de valorizadas coberturas, esses moradores foram localizados por meio de um catálogo sobre as pessoas mais influentes no Brasil.
   O roteiro do filme deu muita liberdade para que os protagonistas falassem sobre sua visão de mundo e como é morar em uma cobertura, como é sua interação com o seu redor e com a sociedade. Foi possível notar que o diretor teve como intenção apontar aspectos negativos, criticando sem precisar falar nada e mostrando como a realidade deles não é bem a realidade de toda a população. Algumas das falas e expressões que me chamaram atenção foram :
 1ª uma fala que uma senhora disse que os tiros lhe parecem fogos de artificio, e com um sorriso no rosto estava a completar a expressão dizendo que teve até um homicídio perto de sua residência mas, como estava na sua cobertura estava protegida dessa situação toda, e que é até bonitinho de ver toda a movimentação e o colorido que dá na paisagem.
2ª O proprietário de um bar que ao que pareceu é bem sucedido dizendo que tem pena de quem não tem um carro de ultima linha na garagem ( O que abre margem para discutir a relevância de um carro top na garagem, e a total ausência de empatia e senso do ridículo de quem o possui, me parece que ter um carro que custa uma fortuna tem muito mais haver com o status e posse, brincando um pouco com a ideia de que eu tenho você não tem, pensei que as pessoas haviam superado essa fase na infância, o que se torna absolutamente irrelevante pois a partir do momento que você compra um carro está sujeito a obsolência programada e o surgimento de modelos mais renomados,é bom lembrar que nunca será possível vender pelo mesmo preço de compra, ou seja dinheiro gasto apenas para manutenção da imagem.) 
3ª O estudante de direito que expressou a necessidade de estudar direito / fazer um faculdade para poder falar bem, permitindo que as pessoas que o houvem cheguem a conclusão de que todas as pessoas que não tem graduação são amebas e deveriam se manter caladas.

O documentário permitiu que pensássemos como isso funciona para nossa realidade também, como quando nos sentimos bem recebidos em um local e uma outra pessoa que não esteja vestida/se portando de forma considerada adequada ou imposta não se sente da mesma forma, como as vezes vemos algo e com uma atitude blasé deixamos de nos importar com a situação pelo simples fato de que aquilo não nos atinge diretamente. 

O que me parece realmente preocupante é que essas pessoas que aceitaram ser entrevistadas para o documentário foram descobertas em um catálogo para as pessoas mais influentes, que tipo de sociedade vivemos para que exista essa lista, e que tipo de mentalidade é essa?  Será que elas realmente tem todo essa influência?  Que preparação é essa, e quais são os valores por eles repassados?  Será que realmente é esse o tipo de modelo que precisamos no país?

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